23 de dezembro de 2007

91%DRUNKARD

21 de dezembro de 2007

O Jazz e o anti-Blasé

Embora a maioria das pessoas ligue o jazz ao blasé, é sabido que a teoria mais anti-blasé da contemporaneidade foi lançada ao mundo acadêmico por um jazzista em sua colossal obra.

O niilismo, que é a desculpa esfarrapada por trás do blasé e do carão, foi definido por Nietzche, em seu livro "Ich Habe den Größten Gesicht Mutterbumser in der Welt"(1), no capítulo 3, página 49, ao declarar, resumindo sua teoria do vazio existencial: "Es bedeutet nicht eine Sache".

Trinta e cinco anos depois, um filósofo estadunidense, o Duque de Wellington*, revisa as teorias de Nietzche em seu trabalho "I´m Beginning to See the Light", complementando a afirmação do filósofo alemão: "It don´t mean a thing, if it ain´t got that swing. A-doo-wop, doo-wop doo-wop doo-wop; doo-aaahhh."(2)

A colocação de Ellington refuta a teoria de Nietzche no âmbito do carão, redefinindo o conceito do vazio existencial e da não-existencia do sentido da vida, apresentando ao leitor-pensador uma terceira via de fruição existencial. Em sua visão (e, por que não dizer, audição) ele demonstra que o vazio do universo pode ser preenchido não por Deus, Jesus, Jeová, Maomé, ou Marc Jacobs, mas por uma outra força espiritual, ligada ao mito e ao id: o , uma espécie de "alma mater" existencial, que dá vida e alma aos elementos do universo - sejam pessoas, lugares, ou até mesmo objetos. Assim, ao invés do "Größten Gesicht prinzips", o interlocutor pode se utilizar do Swing (e suas variantes) para dar sentido e significado ao vazio de sua vida.

Afinal, segundo Ellington, " doo wop doo-wah".

_____
1. NIETZCHE, Friedrich. "Ich Habe den Größten Gesicht Mutterbumser in der Welt". Röchen bei Lützen, 1897.

2. ELLINGTON, Duke & MILLS, Irving. "It Don´t Mean A Thing... if it ain´t got that swing." Nova York, All That Press, 1932.

* Conhecido no vulgo como Duke Ellington.

17 de dezembro de 2007

I wake to sleep, and take my waking slow.
I feel my fate in what I cannot fear.
I learn by going where I have to go.

We think by feeling. What is there to know?
I hear my being dance from ear to ear.
I wake to sleep, and take my waking slow.
And learn by going where I have to go.

from "The Waking" by Theodore Roethke

8 de dezembro de 2007

O molibdênio é um dos metais-pesados mais carismáticos da tabela periódica.

Livros não salvam pessoas.

Jesus salva pessoas.

Mas quem é que precisa ser salvo?

5 de dezembro de 2007

Poema em linha torta

(apud Fernando "Haroldinho" Pessoa)

Nunca encontro ninguém que tenha feito uma cagada.
Todo mundo que eu conheço é sempre o fodão em tudo.

E eu, que sendo alto, sou baixo, e tantas vezes nojento, tantas vezes escroto,
irresponsavelmente relapso, indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho publicamente enfiado os pés nas jacas da sociedade,
Que tenho sido um babaca, mesquinho, infantil e ridículo,
Que tenho sofrido calado
e quando não estou calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às pessoas mais deprimentes,
Eu, que tenho sido assediado pelos homens e mulheres do limbo,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, bebendo dinheiro até não sobrar nada,
Eu, que, pressentindo a briga, me escondo atrás do bar com o copo na mão
como num filme do Oscarito;
Eu, que tenho ignorado as pequenas coisas da vida,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca desmaiou sobre o próprio vômito.
Nunca foi expulso, nunca foi demitido, chutado, chifrado, roubado, enganado.
Nunca cagou sangue, nunca desmaiou, ou caiu, se cortou, se rasgou, se fudeu.
Nunca foi senão príncipe - e nunca gauches - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não! São todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que já foi escroto?

Estou farto de fotologgers!
Posando e sorrindo para a posteridade virtual.
Fazendo o V com os dedinhos que aprenderam com a Giselle.

Onde é que há gente normal nesse mundo?
Quer dizer então que só eu sou errado sobre a Terra?

Orgulho não é veneno, e é gostoso de engolir.
O importante é que emoções eu bebi.

29 de novembro de 2007

Um velho clássico do garage rock dos anos 1960. Postei aqui porque foi MUITO difícil achar essa letra, no Google não tem nem fudendo. Vou colocar aqui para facilitar as coisas para o próximo coitado que procurar ela.

Out of Our Tree - The Wailers


Out, runnin' around
Seein' every crazy sight
A lady in a evenin' gown
Made from a paper kite
We asked her why
She wore such a crazy gown
She said if ya wanna fly
Ya gotta get off the ground

Don't know what we hear an' see
Hey, we gotta be...
Out of our tree
Out of our tree
Out of our tree

Ran a little ways more
And we happened to meet
A man building a door
Right in the middle of the street
We asked him why
He did such a crazy thing
He said if ya wanna get by
The doorbell ya hafta ring

Don't know what we hear an' see
Hey, we gotta be...
Out of our tree
Out of our tree
Out of our tree

Then we saw a cat
Diggin' through a garbage can
Out jumped a rat
A dog an' the garbage man
Now everything we see
We don't try to figure out
We know that it just can't be
But it's happenin' without a doubt

Don't know what we hear an' see
Hey, we gotta be...
Out of our tree
Out of our tree
Out of our tree

23 de outubro de 2007

Guia de Bares BH


Eu e alguns amigos estamos com um novo blog, um guia de botecos de BH com dicas de lugares, preços, bebidas, comidas, blá. Confiram!

18 de outubro de 2007

O povo quer saber


Analisando a música "This Charming Man", dos Smiths, observamos:

"(...) On a hillside desolate / Can nature make a man of me yet? (...) Why pamper life's complexity When the leather runs smooth On the passenger seat? I would go out tonight But I haven't got a stitch to wear (...) A jumped up pantry boy Who never knew his place He said "return the ring" He knows so much about these things"

Estaria ele se referindo a Bilbo Baggins e a jornada do anel? Um halfling (que nao é um homem/humano) que vive nas montanhas desoladas, ou tem que viajar até elas, viajando de carona em uma cela de couro, na companhia de um homem esfarrapado (Aragorn)... e entao tudo fica mais óbvio quando alguém diz a ele "devolva o anel". Ele sabe tanto sobre essas coisas... quem é ele? Gandalf? Tolkien? Estaria Morissey insinuando que O Senhor dos Anéis é uma metáfora da descoberta da homossexualidade por um garoto?

Jamais saberemos...

15 de outubro de 2007

Vamos abrir o Bosque da Esperança!


Segunda-feira. Nove e quarenta e cinco da manhã. Toca o telefone.

- Boa tarde, Daniel. Aqui é do cemitério Bosque da Esperança. Você não estaria interessado em comprar um jazigo?

Espera. Volta a fita. Cemitério o quê? Bosque da Esperança? O nome do cemitério é Bosque da Esperança?

Brother...

Esperança de quê? Você tá morto, pôrra!

- Como assim Bosque da Esperança? Vocês ressucitam as pessoas?

- Como?

- Se eu for enterrado aí, eu tenho a esperança de ressucitar? Vocês vão me transformar em um zumbi??

- Er...

- Porra, mas é claro que eu quero comprar um jazigo!! Quanto custa? Quanto tempo leva entre eu ser enterrado e virar um zumbi? Alô? Alô?

Desligou.

Só a noite é que amanhece


Quando eu era jovem e chegava em casa às 7 da manhã, sóbrio e cheiroso, eu achava muito ruim ir dormir de dia, com aqueles passarinhos cantando, o sol iluminando o quarto através da persiana. Não eram só a luz e o barulho que me incomodavam, mas havia também um sentimento de culpa de ir dormir na hora em que todo mundo acorda para trabalhar.

Obviamente, o tempo cuidou de mudar isso.

É muito mais seguro andar pelas ruas de manhã do que de madrugada. Os ônibus passam com mais freqüência, e assim sei que meus amigos e amigas voltaram para casa com tranqüilidade. Os playboys bêbados bateram suas Mercedes entre meia-noite e quatro da manhã, e a partir das seis o trânsito já é bem mais seguro.

Mas, além de tudo isso, existe agora um sentimento de redenção que suplantou há muito aquela culpa que eu sentia. Quando entro no banho para tirar o cheiro de cigarro antes de ir dormir, abro a janela e fico olhando o sol nascer por trás dos prédios, iluminando a cidade e refletindo nas janelas. Os passarinhos cantando, os ônibus passando cheio de gente indo trabalhar - tudo parece uma alegre sinfonia da cidade acordando, renascendo depois de uma madrugada assombrada, cheia de crimes, acidentes, brigas conjugais, pesadelos e filmes ruins na televisão.

Quando os vampiros, fantasmas e demônios voltam para suas casas, o mundo parece mais bonito e mais seguro. As coisas voltam a fazer sentido. E dá vontade de acordar de novo.

13 de outubro de 2007

Contradições cristãs


Ouvi hoje no rádio um bispo de Minas Gerais se pronunciando contra o abandono de bebês pelas mães, e dizendo que o aborto não é uma solução para esse problema. Ele foi consultado sobre o assunto porque parece que ultimamente o número de bebês abandonados aumentou muito no estado (o que é um tanto óbvio, considerando que 9 meses atrás era verão e férias).

Achei a opinião dele um pouco estranha, condenando o abandono de bebês como se fosse um crime hediondo que só trouxesse desgraça à pobre criança abandonada. Será que ele se esqueceu que Moisés, um dos maiores heróis da mitologia paleo-cristã, o iluminado que "recebeu" os Dez Mandamentos de Deus, onde todas as leis ocidentais se baseiam, começou sua carreira de profeta sendo abandonado pela própria mãe? E não foi numa lata de lixo não: foi em um rio caudaloso, cheio de jacarés, piranhas e outros insetos mortais. O pestinha sobreviveu e se tornou um dos pilares fundamentais do pensamento ocidental-cristão. Nada mau para quem nunca fez MBA.

Ao contrário do que disse o bispo, é até espantoso que o abandono de bebês não seja uma coisa mais comum entre os cristãos, sempre prontos a venerar histórias do passado como se fossem um guia para a vida perfeita. Acho que deveria ser uma coisa mais louvada, abandonar um bebê à própria sorte, sabendo que Deus vai ajudá-lo e lhe colocar no caminho do bem.

11 de outubro de 2007

Direita x Halloween


Deu no Blue Bus: "Cartazes com o texto 'Halloween é satanismo. O Brasil é um país cristão.' serão espalhados por quase 80 bairros do Rio a partir da semana que vem, diz nota na coluna Gente Boa hoje no Globo. A iniciativa é do movimento MV-Brasil, "nacionalista de ultradireita", como esclarece a coluna. Nos últimos anos, o grupo colava pela cidade cartazes com texto mais sutil - 'Halloween é o cacete'."

Quem diria. Antigamente pra ser anti-direita você tinha que ser preso, apanhar da polícia, jogar coquetel Molotov... agora é só usar uma fantasia de monstro e pedir doces de porta em porta!

6 de outubro de 2007

1 de outubro de 2007

The Violins - Grupo de Extermínio de Aberrações



Ainda existem bandas boas no Brasil que cantam em português e fazem letras inteligentes, com crítica social instigante, e que dá vontade de cantar junto. Se alguém me dissesse eu riria, mas confirmei que é verdade mesmo.

Atenção, atenção
Prestem atenção ao que vamos dizer
Nós somos o Grupo de Extermínio de Aberrações
De toda a sorte que você possa conceber
Vindo até vocês pra pedir
Qualquer quantia que se possa fornecer
E garanto que seus filhos vão agradecer por poder crescer
Sem ter que conviver com bichas e michês
E pretos na TV

Tá faltando soco inglês
O estoque de extintor não chega ao fim do mês
Eu não tô pedindo aqui uma fortuna pra vocês
A gente quer limpar o mundo de uma vez

Amigão, amigão
Abaixa essa arma que é melhor pra você
Nós somos o Grupo de Extermínio de Aberrações
E não viemos pra ofender
Viemos receber
Sem medo de pedir pra vocês
Qualquer quantia que se possa fornecer
E garanto que seus filhos vão agradecer por poder crescer
Sem ter que conviver com discípulos de Che
E putas com HIV

Tá faltando soco inglês
O estoque de extintor não chega ao fim do mês
Eu não tô pedindo aqui fortuna pra vocês
A gente quer limpar o mundo de uma vez

E eu garanto que seus filhos agradecem por crescer
Sem ter que conviver
Com bichas e michês
Pretos na TV
Discípulos de Che
E putas com HIV



Alguém aí que tem o Excel do MS Office 2007 instalado na máquina poderia por obséquio fazer essa conta e me dizer o que acontece?

30 de setembro de 2007

BEBER, v. t. i. (...) O indivíduo que se embebeda é malvisto, porém as nações bebedoras são a vanguarda da civilização e do poder. Quando defrontados com os cristãos, que bebem muito, os maometanos, que são abstêmios, caem por terra (...). Na Índia, cem mil britânicos comedores de carne e bebedores de brandy mantém sob seu domínio duzentos e cinqüenta milhões de vegetarianos abstêmios (...). E com que facilidade os norte-americanos bebedores de uísque tomaram dos moderados espanhóis as suas possessões! Desde a época em que os piratas nórdicos assolaram as costas da Europa ocidental e adormeceram bêbados em todos os portos conquistados, tem sido a mesma coisa: todas as nações que bebem demais lutam melhor, mesmo que não de maneira muito reta. (...)

-- Ambrose Bierce, "O Dicionário do Diabo"

NOTA: O sr. Bierce não chegou a ver esse glorioso momento da história moderna, quando os manguaceiros soviéticos banharam Berlin em vodka ao derrubar o III Reich em 1945.

28 de setembro de 2007

O chuveiro explodiu. 1 e 20 da manhã, você chega em casa bêbado, precisa acordar cedo no dia seguinte, resolve tomar um banho pra lavar o cabelo e fazer a barba, pra se sentir mais humano e mais digno, e bem na hora que você vai passar sabonete na cara você vê umas fagulhas apagando na água, olha pra cima e vê os fios soltando fumaça e explodindo.

O pior nem foi o risco de morrer. Foi a água fria caindo na cara. Eu fiquei sóbrio na hora. Minha cabeça está uma confusão danada, cada dia que passa traz eventos e notícias mais bizarros e sinistros, e subitamente eu fico sóbrio esse jeito.

Então eu fiz o que qualquer homem normal faria em meu lugar: morri de rir.

Eu já prometi aqui que não ia ficar falando da minha vida pessoal, então resolvi hoje, em uma semana extremamente conturbada, explicar a origem do título do meu blog. Ele se chama "uísque e mulheres" mas não é só sobre uísque e mulheres, assim como o "Corona" não é nem sobre cervejas mexicanas nem sobre duchas de água quente.

Certa vez, em um momento de crise, eu deletei todos os meus blogs antigos e resolvi começar um do zero. Mas aí sempre chega aquele momento de escolher o nome do seu blog novo, porque no blogspot não basta ter um nome doido pro blog: você precisa de um seilaoque.blogspot que ainda não tenha sido tomado por algum imbecil qualquer que pensou naquele nome primeiro e criou um blog sem nada só para te atrapalhar.

Pensei então em pegar o nome de alguma música doida. Lembrei-me logo do John Lee Hooker, o imortal poeta dos homens problemáticos, e pensei nessa música, Whisky & Wimmin´, que ele gravou naquele disco em parceria com o Canned Heat.

A letra não tem nada de mais. É só um cara falando que o uísque e as mulheres acabaram com a vida dele. Que ele era rico e tinha um carrão, mas que a vida noturna, a bebida e as mulheres acabaram com tudo que ele tinha.

Eu comecei dizendo que não ia falar sobre a minha vida pessoal, mas eu menti. Droga.

24 de setembro de 2007

Winged Heart

Um poema muito bonito do Robert Frost para vocês...

Winged Heart

The steel of my eyes and the bitterness of my words
shut down my silence, but left their marks
If today I am a desert, it is because I didn´t know
that the flowers, over time, loose their strenght
and the wind blows much stronger

Today, all I believe in are the pulse in my veins
The light that shone on each starting point
have left me long, long ago

Alas, winged heart
I shall unleaf my eyes in this dark vail
No longer will I believe in the naive flames of passion
So many lost illusions in my memories

In this road, no one can follow me, but myself
Only myself

Na verdade isso não é poema nenhum e nem é do Robert Frost, é uma música do Fagner chamada Noturno, mas se eu falasse isso no começo vocês não iam levar a sério...

20 de setembro de 2007

O importante é que emoções eu bebi!

ROCK ANOS 60 NA VEIA


No próximo sábado, 22 de setembro, na Obra, vai acontecer a primeira edição da festa THE KNACK! O melhor do rock´n´roll dos anos 60 para todo mundo dançar que nem maluco. Esperamos que seja a primeira de muitaa festas, mas para isso precisamos do apoio numérico das pessoas.

Normalmente eu odeio fazer spam e coisas do tipo, mas nesse caso acho importante porque é uma oportunidade legal de fazermos uma coisa realmente diferente na Obra. Todo mundo vive reclamando que lá agora só tem indie rock e samba... pois bem, chegou a hora de mudar isso um pouco. Mas não adianta nada reclamar sem fazer alguma coisa.

Nós estamos fazendo a nossa parte. O que vocês podem fazer? Ir à festa e se divertir como nunca!!! Será que é pedir demais? :)

19 de setembro de 2007

Meu caro amigo, porque a cara tão tristonha?
Deprimido e abatido sem razão!

Só porque foi do emprego demitido
e a sua namorada te deixou na mão?

Você devia da tristeza ter vergonha:
No seu mundo não tem sogra nem patrão!

18 de setembro de 2007

Para quem não sabe, quarta-feira é o dia internacional mundial oficial de falar que nem pirata. Não perca!

(até parece que eu só faço isso 1 vez por ano)

17 de setembro de 2007

Bolei mais um esquema pra ficar rico

È o seguinte... Sandálias Havaianas, certo? Um calçado tosco, famoso nos anos 80, que agora virou cult nos países ricos e tá custando uma fortuna.

Eu sempre achei isso meio idiota, principalmente porque pra mim sandálias Havaianas sempre foi chuteira de pedreiro. Sabe aquele futebolzinho que rola entre o almoço e o apito das 14:00 na construção? Como é que de repente isso vale dezenas de euros? Pois é.

Bom. Já que é pra vender chuteira tosca dos anos 80 pra Europa, por que eu não compro logo um lote de Kichute e mando pra lá? Imagina uma propaganda na TV anunciando uma chuteira BRASILEIRA. Vai bombar demais! Em cada país a gente pega um jogador brasileiro que joga lá e faz uma propaganda na TV e nas paredes dos prédios. Sucesso!

Eu sou um gênio das finanças. Pena que nasci pobre.

16 de setembro de 2007

O problema desse blog é que ele ficou sem personalidade. Eu não quero que ele vire um confessionário onde eu vou ficar falando da minha vida particular, mas também não quero que vire apenas um depósito de links de pornografia e receitas de bebidas. Então, o que fazer?

Na dúvida, vou seguir a nova tendência da blogosfera e encher meus posts com videos malucos e engraçados.



Eu não sei bem por que, mas eu fiquei rindo um tempão desse vídeo. Ele não tem nada de mais. É só um cachorro pulando na piscina. Eu costumo abrir o YouTube para ver todo tipo de coisa engraçada: seriados antigos, episódios de Tela Class, desenhos animados, paródias, presidiários filipinos - tudo mesmo. Mas raramente eu me diverti tanto do que quando vi esse vídeo do cachorro.

Ele não dança, não é dublado, não tem palavrões e nem aparece Jesus ou alguma criancinha morrendo. Não tem velhinhas lutando kung fu, nem bonequinhos 3d, e nem peidos.

É só um cachorro pulando na piscina.

Mas não é preciso ver a cara dele pra saber o quanto ele está se divertindo. Ele não late, não balança a cabeça, nada. Ele simplesmente sobe a escada, desce correndo pela cachoeira, tibum, pula pra fora da piscina e começa tudo de novo. Várias vezes em seguida.

Eu acho que eu gostei tanto desse video porque ele me lembra que a vida é muito mais simples do que nossa sociedade gosta de pintar. A gente não precisa fazer terapia, nem encher a cara, nem ser bonito, nem ir na Igreja pra ser feliz. A gente só precisa pegar uma coisa que a gente realmente gosta de fazer, e fazer, e pronto, e foda-se se tem alguém filmando, ou se a gente está com a roupa adequada para a ocasião. Diversão pura e simples, no nível mais básico, aquele em que a gente sabe que está fazendo uma coisa apenas porque precisa ter algum motivo mais interessante para viver do que apenas ingerir calorias e perpetuar os genes.

8 de setembro de 2007

Meu bom amigo Fernando gostou tanto de Ratatouille que resolveu se mudar para Paris. Nesse blog podemos acompanhar suas peripécias: Guara-Paris

Não há nada que expresse melhor o verdadeiro sentido desse blog do que uma boa e velha canção de piratas! Tradicional irlandesa, por isso não dá pra entender algumas partes da letra. Mas mesmo assim é um belo poema sobre a insustentável leveza do ser, relacionamentos inter-pessoais e estados alterados de consciência:



WHISKEY IN THE JAR
(traditional)

As I was going over the far famed Kerry mountains,
I met with Captain Farrel and his money he was counting.
I first produced my pistol and then produced my rapier,
Saying 'Stand and deliver for I am a bold deceiver'.

With me ring am a do ama dah
Whack fol the daddy o,
Whack fol the daddy o,
There's whiskey in the jar.

He counted out his money and it made a pretty penny
I put it in my pocket and I gave it to my Jenny
She sighed and she swore that she never would deceive me
But the devil take the women for they never can be easy

I went into my chamber all for to take a slumber,
I dreamt of gold and jewels and for sure it was no wonder.
But Jenny drew my charges, she filled them up with water,
She sent for Captain Farrel to be ready for the slaughter.

'Twas early in the morning, before I rose to travel
Up comes a band of footmen and likewise Captain Farrel
I then produced my pistol for she stole away my rapier
But I couldn't shoot the water, so a prisoner I was taken

If anyone can aid me, it's my brother in the army,
If I but knew his station be it Cork or in Killarney.
And if he'd come and join me, we'd go roving in Kilkenny.
I swear he'd treat me fairer than my darling sporting Jenny.

7 de setembro de 2007

No começo você bebe porque nada faz sentido na sua vida.
De repente a bebida te dá uma luz, e você começa a entender tudo.
E aí então é que você começa a beber pra valer.

28 de agosto de 2007


Then he asked a village peasant
What do Russian hearts desire
He answered peace on earth, of course
And a little Stolichnaya!

27 de agosto de 2007

Mortes Rock and Roll

Em mais uma dessas conversas de bar que passam voando e têm intervalos cada vez maiores entre elas, debatia com Gabi Penélope quais seriam as mortes mais rock and roll da história do mesmo. Como o conceito de o que seria uma morte rock and roll começou a derivar muito e discordamos cada vez mais nele, decidimos fazer duas listas separadas. Aqui vai a minha.

Para mim o conceito de "morte rock and roll" é uma mistura de 1. o quanto eu gostaria de ter essa morte (sendo que quanto mais eu invejar a morte, mais rock and roll ela é) 2. quantos % do corpo do morto sobraram para o enterro e 3. a motivação da morte (i.e. suicídio é a coisa mais não-rock-and-roll do mundo).

Sendo assim, vejamos as 5 mortes mais rock and roll da história do rock:


5. Karen Carpenter (The Carpenters) - Anorexia

Karen Anne Carpenter e seu irmão Richard formavam a dupla perfeita da música pop: brancos, cristãos, afinados, fofinhos, eles eram tudo que a música pop queria nos anos 1970. No entanto, o que parecia um sonho de ternura escondia uma mulher de verdade, com anseios e problemas que a sociedade americana daquela época não estava disposta a expôr na mídia. Sua morte em 1975, provocada por um distúrbio alimentar, forçou um debate sobre o tema, justo em uma época em que as dietas milagrosas comandavam. O problema persiste até hoje, e o caso Carpenter entrou para a história do rock como um dos mais chocantes relatos de contraste entre a imagem do artista e sua vida real, além de ser um exemplo trágico do que o sucesso pode fazer com as pessoas.





4. Richie Valens, Big Bopper & Buddy Holly
- Acidente de avião

O episódio que ficou imortalizado na canção de Don McLean como "o dia em que a música morreu" foi um dos maiores traumas da história do rock e pode ser considerado um marco divisório entre a fase inicial do rock romântico e inocente dos anos 1950 com o rock sarcástico e realista da primeira metade dos anos 1960.

No dia 3 de Fevereiro de 1959, em Clear Lake, Iowa, um pequeno avião caiu em meio a uma forte tempestade. Dentro viajavam, além do piloto Roger Peterson, os rockeiros Charles Hardin Holley, Richard Steven Valenzuela e Jiles Perry Richardson Jr., três ídolos da juventude naquela época e que tiveram suas carreiras todas interrompidas ao mesmo tempo, graças ao péssimo planejamento da turnê "The Winter Dance Party", que marcou shows em 24 cidades sem se preocupar com a ordem em que eles iriam acontecer. Por causa disso, os artistas tinham que viajar longas distâncias em um ônibus com aquecimento quebrado. Logo no início da turnê, o baterista Carl Bunch teve os pés congelados e foi hospitalizado.

Com o saco cheio de passar frio no ônibus, Buddy Holly e banda decidiram contratar um avião para viajar até a próxima cidade da turnê. Antes da viagem, ambos os integrantes da banda se safaram da morte trocando seus lugares por dois outros headliners da turnê: Waylon Jennings cedeu seu lugar a um gripado Big Bopper, enquanto Ritchie Valens, que nunca tinha viajado de avião, conseguiu ficar com o lugar de Tommy Allsup no avião, em um prosaico cara-ou-coroa. O outro cantor principal da turnê, Dion DiMucci, da banda Dion & the Belmonts, também foi convidado por Buddy Holly a viajar no avião, mas ficou com vergonha de pagar $36 dólares pela viagem. Sua humildade, a gentileza de Jennings e o azar de Allsup acabaram matando, sem querer, os três ídolos juvenis e marcando para sempre a trajetória do rock and roll.





3. Marvin Gaye
- Assassinado pelo próprio pai

Durante os anos 60, Marvin Gaye foi o maior cantor da gravadora Motown, emplacando sucessos como "I heard it through the grapevine" e "Ain´t no mountain high enough". No entanto, sempre antenado com seu tempo, no final dos anos 60 Gaye ficou entediado com o sistema Motown de fazer música - regras estritas que criavam hits garantidos no rádio. Em 1971, contrariando crítica, público, amigos e patrões, lançou um disco genial chamado "What´s Going On", um marco na música pop que definiu de uma vez por todas a vocação da soul music e do funk ao comentário social e a temas mais maduros, ao invés do mesmo baby-eu-te-amo de sempre. Gaye teve uma vida conturbada, cheia de altos (vários hits, milhões de discos vendidos) e baixos (a morte de sua parceira Tammi Terrell em 1970, o divórcio em 1978, a falência total em 1979). Em 1983, fez sua última turnê pelos EUA, e então refugiou-se na casa dos pais, lutando contra a depressão e as drogas. Apesar de tudo isso, e das várias tentativas de suicídio, Gaye morreu em 1984, assassinado a tiros, dentro de casa, pelo próprio pai, durante uma briga sobre os negócios da família.




2. Mark Sandman (Morphine)
- Ataque cardíaco em pleno palco

Na verdade essa lista nasceu porque eu estava pensando em como deve ser paia morrer velho, com esclerose múltipla, em coma... e que deve ser muito mais doido fazendo alguma coisa que você gosta muito. Então eu me lembrei do Mark Sandman. Morrer de ataque cardíado é uma coisa. Morrer de ataque cardíaco no meio de um show, é outra. Ele tinha 47 anos de idade, e provavelmente fumava, cheirava, bebia e tudo mais. Foi uma morte digna, de guerreiro: tombar no campo de batalha durante o combate. Poucas pessoas podem se dar ao luxo de morrer como viveram.


1. John Entwistle (The Who) - Overdose aos 57

Só tem uma coisa mais rock and roll do que morrer de ataque cardíaco no meio de um show aos 47 anos - morrer de overdose aos 57 anos com duas putas em um hotel de Las Vegas. Durante toda sua carreira, Entwhistle era "aquele baixista quietinho do Who que nunca fala nada e fica o show inteiro paradão". Obviamente, apenas fãs idiotas pensavam isso. Entwhistle era um porra louca como outro qualquer, fazia shows fantasiado de caveira e ainda mandava aquela voz de capetão em "Summertime Blues" e "Boris the Spider". Além disso, tinha mais de 200 baixos, e tocava com uma distorção que muitas bandas de metal teriam medo de usar. Sua morte é um exemplo para todos nós, que esperamos morrer antes de ficarmos velhos. Ele, com certeza, conseguiu!

Nota do editor: essa lista é obviamente uma grande baboseira, como toda lista sempre é... se você discorda ou tem sugestões de mortes mais rock and roll, deixe um comentário!!

13 de agosto de 2007

Como todos sabem, eu acho cerveja paia. Mas a frase abaixo, de uma música da banda belorizontina Porcas Borboletas, é uma pequena pérola de sabedoria que dá muito espaço à reflexão:

É melhor dizer "amor, acabou a cerveja" do que dizer "cerveja, acabou o amor".

9 de agosto de 2007

"Melhor do que dar um peixe a um homem, é dar um bife."

6 de agosto de 2007

Encontrei no disco novo dos Autoramas (ótimo, por sinal) uma música que fala um pouco sobre o tema do post anterior...

MUITO MAIS (Autoramas)

Pessoa solitária que anda pela rua de madrugada
Atrás de gente interessante
Só não sei se tem gente interessada
Gerando comentário na sala de aula na segunda-feira
De quem só viu por um minuto e projeta uma vida inteira

Você sabe tão pouco a meu respeito
Mas se sente no direito de vir me analisar
Se é pra passar por cima de preconceito, prefiro nem ser aceito
O que eu quero pra minha vida é muito mais

Juventude Radiohead

Houve um tempo em que as pessoas sabiam o que queriam, e buscavam meios para consegui-lo. Era a época do rock, da psicodelia, das greves estudantis, das revoluções culturais, da pop art, das comunidades rurais, quando os jovens iam para a faculdade estudar filosofia e história para tentar mudar o mundo e transformá-lo em um lugar melhor.

Passaram-se 40 anos.

Muita coisa acontece em 40 anos. Basta lembrar que a II Guerra Mundial durou apenas 6. Nesses 40 anos, os hippies desapareceram, a mídia se tornou um monstro onipresente e todo-poderoso, o sistema político ocidental se transformou em um reality-show, a MTV transformou a rebeldia e a transgressão do rock em produtos limpos e seguros para a classe média de todo o mundo. O que antes era uma maneira de experimentar novas maneiras de viver, tornou-se um conjunto estrito de regras a serem seguidas: letras, roupas, cabelos, temáticas, tudo se transformou em um manual de estilo.

E o que vemos no rock de hoje não é nada mais que um arremedo, uma sombra, uma colcha de retalhos da idéia original. O que antes era experimentalismo, agora é obrigação. A diversão e a criatividade deram lugar à repetição de velhos clichés. Até mesmo os roqueiros que se dizem experimentalistas acabam cometendo os mesmos erros do passado, alienando o público com músicas chatas e conceitos sem graça.

A juventude transviada se transformou em um bando de ovelhinhas solitárias que fazem qualquer coisa por um minuto de alegria. Ouvindo Radiohead no iPod, gastando todo seu dinheiro em cerveja ruim e bares da moda, tentando desesperadamente agarrar alguém. Não é uma namorada que eles querem, mas sim um pedaço de isopor, qualquer coisa que os impeça de se afogar no oceano de nada que inundou a nossa sociedade.

Muito cômodo colocar a culpa na MTV, no FHC e em outras siglas. Vivemos a era do celular, da Wikipedia, do YouTube. O conhecimento está ao alcance de todos. Mas temos uma geração inteira mergulhada na angústia e no marasmo do pós-existencialismo - a depressão dos países frio europeus, que definiu a personalidade de pessoas como Sartre e Bergman, invadiu os trópicos, transformando os alegres caraíbas e guaranis em cópias esfarrapadas do Robert Smith. Esse existencialismo barato, típico dos fãs de Bukowski, reduz a aventura da vida sobre a Terra a um Dia da Marmota obscurecido pela música pop. Qual é a diferença entre o agroboy que se acaba no rodeio, e o estudante de design que se joga na pista da boite? Muito pouca. Estão ambos buscando a mesma coisa. E bebendo Sol.

5 de agosto de 2007

Orloff mata.

4 de agosto de 2007

Como diferenciar festinhas

FESTA BOA
Música boa, bebida barata, mulheres bonitas...

FESTA PERIGOSA
Música barata, bebidas bonitas... e as mulheres? Gente boa!

Post motivado pelo flyer da festa Aglomera produzida pelo JeffK no Up! Bar, hoje, dia 4/8/07, às 23:00, $10,00 - segundo ele, a festa do primeiro tipo ali em cima! Vamos conferir!

2 de agosto de 2007

Brinde do Murdock

"Encham o caneco
Mas não encham a cara
Senão a ressaca
Nem bicarbonato pára!"

- Murdock, do Esquadrão Classe A

1 de agosto de 2007

Um mundo sem gin

Em recente comentário no blog do Kalil, a filósofa e assistente social Gabriela Penélope levantou uma questão pertinente que merece ser respondida: "como as pessoas viviam sem gin?"

Segundo o historiador inglês Edward Gibbon, em seu antológico "The History of the Decline and Fall of the Roman Empire", o gin foi inventado no século XVII pelo médico holandês Fanciscus Sylvius. A bebida original era feita com álcool de trigo e zimbro, além de outras especiarias.

Quando em 1688 a Revolução Gloriosa afastou a Igreja do governo britânico e convidou o rei de Holanda para assumir o controle da região, William III da Casa de Orange levou sua côrte para Londres, e consigo foram o que de mais valioso havia naquele país: tamancos, tulipas, e gin (a maconha e os quadros de Van Gogh vieram um pouco depois).

A partir dessa data, o mundo ocidental entrou na era do Iluminismo ("Aufklärung", como dizia Kant), um divisor de águas no pensamento humano que separa a história da sociedade ocidental em duas.

Os historiadores são muito céticos quanto a isso, mas todos sabemos que foi a introdução do gin na sociedade inglesa que provocou toda essa revolução.

Basta lembrar que, antes da invenção do gin, a sociedade ocidental vivia sob o controle da religião, do medo e da censura. Foram os tempos do Império Romano, da Idade Média, da Inquisição Espanhola, da Peste Negra.

Logo depois da criação do gin e de sua introdução na Inglaterra e, conseqüentemente, na Europa e nas colônias, vimos o surgimento do Iluminismo, da Revolução Industrial, dos Direitos Humanos e Civis, o voto feminino, a psicanálise, a eoria da evolução das espécies, a Arte Moderna, o DNA, e, finalmente, o Rock and Roll, o último grande salto evolutivo da raça humana.

O momento da criação do gin, em nossa história, marca a diferença entre a barbárie e a civilização, o estupro e o erotismo, Marte e Vênus, o velho e o novo, o profano e o gin-tônica.

Sendo assim, a resposta mais simples para a pergunta "como as pessoas viviam sem gin" é: viver, não viviam. Meramente sobreviviam.

q.e.d.



Nota:
O gin tônica foi criado pelos colonos ingleses no Caribe e outros países tropicais para facilitar a ingestão do quinino, remédio usado contra a Febre Amarela. Eles misturavam quinino com água gasosa, e assim nasceu a água tônica. Como colono é louco mas não é burro, eles começaram a colocar gin também, pois no fundo sabiam que esse sim era o verdadeiro remédio não só contra a Febre Amarela, mas contra a Febre Verde, a Azul, a Roxa, a Peste Negra, o Câncer, Gripe, Febre, Asma, Depressão, Síndrome do Pânico, Timidez e a feiúra do alheio.

31 de julho de 2007

Amor é coisa de pobre

Quando eu era criança, nós morávamos em um prediozinho de 6 apartamentos em um bairro remoto que tinha mais terrenos baldios do que casas. Sempre que chovia, as ruas inundavam, e haviam enxurradas de lama e pedra. Todo mês havia uma reunião de condomínio na casa de alguém. Era um evento social do prédio. As pessoas ficavam felizes quando tinha reunião de condomínio - compravam bebidas e comida, se vestiam bem, era uma festinha do prédio onde se discutia sobre política, futebol, cultura, e até mesmo os problemas do prédio.

Nos cinco anos em que morei com minha ex-mulher, eu nunca fui em uma reunião de condomínio. Vivíamos em um prédio de 48 apartamentos e nesses cinco anos eu nunca conheci nem fiquei amigo de ninguém do prédio. As áreas de convívio projetadas pelo arquiteto viviam às moscas. O salão de festas era terra de ninguém. A churrasqueira nunca foi usada. Continua branca como no dia em que foi instalada.

Eu olho à minha volta e vejo tantos relacioamentos acabando por causa de dinheiro. Casamentos, namoros, amizades, sociedades, tudo se dilui na ganância e na cobiça. Todos dizem que não é nada disso: apenas querem uma vida melhor, merecem mais, precisam ter TV a cabo com todos os canais, não podem deixar de viver sem celular e 30 cartões de crédito, carro do ano, chuveiro quente nos 3 banheiros...

Obviamente está parecendo que eu estou azendo uma apologia da pobreza, mas não é nada disso. Quando Chaplin fazia o personagem do vagabundo, ele não estava falando das pessoas pobres que não têm dinheiro nem luxo nem conforto. Ele estava falando das pessoas sensíveis, que se preocupam mais com o bem estar de uma criança e de um cachorro do que com o status quo e as aparências.

Nossa sociedade (a ocidental cristã capitalista) se preocupa demais com valores fugazes e abstratos como a beleza e o status. Falha miseravelmente em perceber que são valores ilusórios. Nossos adultos agem como crianças que querem sempre um brinquedo novo: trocam de carro todo ano, de celular a cada dois anos, de marido ou esposa a cada quatro. O amor não é suficiente, pois nada preenche o vazio que sentimos. Queremos sempre mais coisas e objetos para mascarar nossa total e completa falta de preparo para a vida.

Temos medo da morte, do escuro, da solidão - nunca terminamos um relacionamento sem começar outro antes - da fome, do imponderável, temos um medo desgraçado de sermos ridicularizados, de pensarem que somos pobres, temos medo da opinião dos outros, temos medo do que nossos pais vão pensar, medo de sermos xingados, de nos chamarem de gordos ou de feios ou de esquisitos. Destruímos tudo que havia de belo em nossa cultura e em nossas tradições porque temos medo, medo de tudo.

Não foi o amor que acabou. Foi a coragem.

30 de julho de 2007

Escola do Rock - Lição 01 - Seja macho


Não importa se você é homem ou mulher: seja macho. A vida é dura. As pessoas morrem. Existe fome, miséria, guerra, desemprego, drogas, estupro. Animaizinhos são comidos, plantas são queimadas, carros explodem, relacionamentos terminam, empresas fecham, sorvetes derretem. Um rockeiro sempre encara esses fatos com firmeza e coragem. Pero sin perder la ternura, Hamas.

Eric Burdon é um dos maiores mestres do rock de macho. Suas letras firmes e inteligentes demonstram uma aguda percepção da realidade, com muita lucidez e um equilíbrio delicado entre alegria e tristeza. São palavras de um poeta no melhor sentido da expressão.

Momento de Sabedoria

O amor é como o sal: faz mal ao coração, mas deixa a comida muito mais gostosa.

28 de julho de 2007

Prólogo

Bem-vindos a Wiskey & Wimmin´, um blog educacional que contém reflexões sobre a sociedade, as viçiçitudes do homem contemporâneo, o amor, o ódio, bebidas alcoólicas, e motivos para continuar vivendo.

Quem escreve esse blog? Um homem de 28 anos de idade, recém-divorciado, que nunca fumou maconha, nunca fez terapia, nunca estudou comunicação nem design, não trabalha com publicidade, nunca fez marketing viral, não lê novos escritores, não ouve novas bandas, não tem cabelo, não vai ao cinema e não bebe cerveja. Ou seja, uma pessoa absolutamente desinteressante e que jamais deveria escrever um blog.

Quem deve ler esse blog? Pessoas entediadas em geral, com idade entre 18 e 38 anos, que busquem diversão e entretenimento nas tragédias cotidianas do alheio de maneira sádica e egoísta - ou seja, pessoas normais. Recomendado especialmente para misantropos, niilistas, satanistas e iluminados em geral.

Quem não deve ler esse blog? Pessoas com coração fraco, que acreditam em amor romântico, pessoas com fé religiosa, que acreditam em uma força superior que governa o universo, pessoas que acreditam em reencarnação, pessoas que não bebem, meus pais, minha ex-mulher e o gerente do meu banco.