27 de fevereiro de 2008

Luís Nassif peita a Veja


O jornalista Luís Nassif criou um site com um dossiê explicando por que a revista Veja virou essa merda que virou. Clique aqui para acessar o texto dele. Os capítulos estão disponíveis em HTML e em PDF também.

É cada vez mais raro encontrar um jornalista com culhões nesse país. Que isso sirva de exemplo aos colegas de profissão.

E pra turminha do "debate" jornalistas versus blogueiros: parem de falar merda e vão fazer alguma coisa útil!

24 de fevereiro de 2008

The possibility of life´s destruction!


"At seven tenths of a millisecond after the explosion, and at a distance of 60 miles, the light from the fireball of a single-megaton thermo-nuclear device is 30 times brighter than the midday sun. This little boy has received severe retinal burns from an explosion 27 miles away.

This house lies 29 miles from Manston airfield and 41 miles from Gatwick Airport in Sussex.

The blast wave from a thermo-nuclear explosion has been likened to an enormous door slamming in the depths of hell."

Depois de muita pesquisa, eu finalmente descobri de onde é esse sample, que liga as faixas "Cries of Help" e "The Possibility Of Life´s Destruction", do classiquíssimo disco "Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing", da não menos classiquíssima banda Discharge. É de um filme chamado "The War Game", de 1965, dirigido por um tal de Peter Watkins. Baixe o disco aqui e o filme aqui.

Eu ia escrever um post enorme sobre paranóia nuclear, mas, como diria o Black Flag, eu tenho outros problemas para resolver, e não são do tipo que se revolve com uma bomba atômica.

23 de fevereiro de 2008

Na areia branca do deserto escaldante...


Subitamente, quando olhei à minha volta, me vi cercado por ex-pessoas. Meu passado inteiro ali, lotando o lugar, e eu não tinha nem uma porta para escapar. Era passado por todo lado, um em cada braço, um na frente, e atrás de mim só uma parede de concreto. E atrás dos passados, outros passados acenavam de longe.

Ex-amigos, ex-inimigos, ex-namoradas, ex-ficantes, ex-it´s-complicateds, ex-colegas de trabalho, ex-alunos, ex-professores, ex-companheiros de banda, ex-calouros, ex-veteranos, ex-mulheres, ex-homens, ex-compadres, ex-parceiros, ex-futuros.

E quem sou eu no meio de tanto fim? Um ex-jovem, ex-magro, ex-cabeludo, ex-bonito, ex-alegre, ex-feliz, ex-a alma da festa, ex-exemplo, ex-ídolo, ex-amigo, ex-professor, ex-namorado, ex-paixão da vida de alguém, ex-sysop, ex-mentor, ex-orientando, ex-aluno, ex-filho, ex-marido, ex-atleta, ex-campeão de xadrez, ex-leitor, ex-gourmet, ex-virgem, ex-sóbrio, ex-coerente, ex-blogueiro? De quantas coisas mais eu vou ter que me livrar antes de ser?

Eu me sinto como um dromedário perdido no deserto, carregando nas costas essa enorme corcova de vidas passadas. Verdades e mentiras, conclusões e reticências, coisas que foram bem explicadas e coisas que ficaram pela metade. Algumas recordações boas, muitas ruins, imagens e sensações que voltam por vontade própria, e saudades tão específicas que não fariam sentido para absolutamente ninguém nesse mundo. Vagando pela areia escaldante em minhas quatro patas peludas e feridas, vou vagando de oásis em oásis, buscando água e comida. Mas tudo que encontro são miragens. Uma após a outra, sumindo no horizonte, dando falsas esperanças a quem tem cada vez menos discernimento da própria insolação.

Nenhum tuareg vai vir me resgatar. Preciso sair daqui sozinho. Sem mapa, sem bússola, sem a ajuda de Alá, flanando de miragem em miragem, até chegar a Meca, Túnis, Cartum, Casablanca, Algiers, Bamako, Cairo, Tobruk, Trípoli - qualquer lugar serve, desde que tenha água. Um copo não basta: quero um rio profundo, um oceano em que eu possa mergulhar 108 quilos de Camelus dromedarius e deixar essa corcova gigantesca se dissolver, e então afundar, até onde for possível; deixar de ser um dromedário e virar um cavalo marinho, um tubarão, algum animal silencioso que passe a vida no fundo do mar, existindo e deixando existir.

Uma arraia. Era isso que eu queria ser. Se eu fosse um animal, Lívia, Elisa, Júlia, e demais psicólogas com 5 letras terminadas em A, eu seria uma arraia, muito grande e negra, deslizando silenciosamente pelo oceano, sem olhos, sem patas, sem nada, só uma grande mancha negra e escorregadia, com uma cauda enorme e um ferrão afiadíssimo e cheio de veneno que eu nunca jamais usaria contra ninguém - só o teria porque a natureza é assim mesmo, ela nos dá armas mortais que podemos escolher usar ou não.

No fundo do mar não existe passado. Os peixes, abençoados por Netuno, têm a memória curtíssima - cerca de 4 segundos, no máximo. Não se lembram de quem são, de onde vieram, quem foram seus pais, sua infância, o que viram na TV - nada. Apenas nadam, observam, comem, brincam nas folhas, descansam sem dormir. Sem corcovas.

Eu faço o que eu posso. Tento ignorar o passado, viver o presente. Mas o meu presente é um enorme passado que não vai embora nunca. Eu corro, eu fujo, eu me escondo, eu tento ficar invisível, me enfiar debaixo do tapete, desligar o celular e fechar o MSN, mas não tem jeito. O passado bate à minha porta, liga no fixo, manda e-mail, scrap, testimonial, Facebook, Twitter, e qualquer outra merda de tecnologia que ainda nem inventaram - não importa o que seja, o passado vai usar para me procurar. E, quanto encontrar, ele vai esfregar na minha cara todos os meus fracassos, as minhas derrotas, as minhas ilusões ridículas que viraram motivo de chacota, as minhas paranóias, neuroses e outras escrotices em alemão que eu não sei qual é qual - e mesmo que eu fosse cego, esse passado viria em alto e bom som, até eu ficar surdo, e então ele viria com o dobro da força, mas agora em braile, e também na forma de um cheiro onipresente que iria me lembrar as coisas mais absurdas. O cheiro daquela menina que vocês não conheceram, daquele lugar onde só eu fui, daquela comida que ela fez uma vez pra mim, e o cheiro do cabelo da Mariana no dia em que ela cortou ele curtinho. Mariana? Vocês nem conheceram a Mariana.

Mas... vocês quem? As vozes na minha cabeça? O sol do deserto está finalmente fritando os meus miolos.

Miolos. Até na hora do suicídio imaginário eu penso em zumbis. Que final ridículo. E perfeito.

22 de fevereiro de 2008

A mulher ideal e o sapato da vida

Finge que você está indo encontrar a mulher ideal. A mulher perfeita, a mulher dos seus sonhos. Você só tem dois pares de sapato. Um novo, bonito, brilhante, chique, caro, bacana, do tipo que as mulheres gostam. O outro é um tênis velho, furado, sujo, cheio de terra. Com qual você vai ao encontro?

É claro que é com o velho. Porque é assim que ela tem que te conhecer. O tênis velho, ele sim, é o seu único companheiro na estrada da vida. E ele é uma metáfora da mesma. A vida é um sapato velho, fedorento, com um buraco na sola - quanto mais você anda, mais as pedras do caminho machucam. E mesmo assim você não consegue jogar ela fora.

E além do mais, se a mulher for perfeita mesmo, ela não vai ligar a mínima para os seus sapatos, certo?

Como? Você não sabe encontrar uma mulher perfeita? Você passou a vida inteira procurando uma mulher ideal, e não conseguiu encontrar nenhuma?

Meu filho... a mulher perfeita, é ela que te encontra.

Desenhos Satânicos


O mundo é um lugar engraçado.

Depois do atentado de 11 de Setembro, já houveram cerca de 4.000 atentados terroristas pelo mundo afora. Os jornais noticiaram com a frieza de sempre, e ninguém se manifestou.

Mas quando um jornal dinamarquês publicou algumas charges ironizando os terroristas e a forma deturpada como eles usam o Islã para justificar seus atos, todos os países islâmicos protestaram: povo nas ruas, fogo em embaixadas, colocaram a cabeça dos cartunistas a prêmio, etc. Outro dia mesmo prenderam dois homens que estariam tramando o assassinato de um dos cartunistas envolvidos no "escândalo".

Em nome da liberdade de expressão, diversos jornais do mundo inteiro republicaram as charges dos cartunistas dinamarqueses, em um protesto contra o medo e a censura que ameaçam mais uma vez a imprensa. Essa polêmica toda reacendeu velhos debates, não somente sobre a rivalidade entre o mundo islâmico e o cristão, mas também sobre a liberdade de imprensa e de expressão. Será que é justo matar pessoas só por causa de um desenho impresso em um jornal? Até que ponto a sensibilidade das pessoas pode ir? Vale a pena matar alguém em nome da sua crença religiosa?

Minhas reações a essa confusão toda são adversas. O primeiro "eu" que reage a essas notícias é o ateu: como é que as pessoas têm coragem de se exaltar tanto, a ponto de queimar embaixadas e tentar matar pessoas, só por causa de um homem invisível que governa o universo? Essa briga do Islã contra os cristãos é só um bando de idiotas se matando uns aos outros para ver quem tem o melhor amigo imaginário. Todos os profetas e criaturas mitológicas em geral sempre ensinaram a mesma coisa: viva e deixe viver, os últimos serão os primeiros, relaxa senão não encaixa, vai cuidar da sua vida e não enche o saco dos outros. É só ler os textos sagrados, está tudo lá. Mas para quê ler os textos sagrados se você pode simplesmente imitar as pessoas à sua volta? É muito mais prático e cômodo - e você nem precisa pensar. É assim que surgem as Ku-Klux-Klans e as Al-Qaedas da vida.

Depois vem o "eu" desenhista, cartunista, quadrinista, seja lá o que for. Esse eu acha tudo isso lindo! O poder do desenho! Vejam do que um simples desenho é capaz! Milhares e milhares de livros e teses de doutorado são escritos e lançados todos os dias fazendo análises e previsões sobre os conflitos religiosos e as guerras do mundo inteiro. E aí um belo dia um jornal da Dinamarca publica alguns desenhos com piadinhas inocentes e irônicas. E o que acontece? Uma briga de nível mundial! Explosões! Assassinatos! O povo nas ruas! Tudo por causa de alguns cartuns e charges. Lindo, lindo...

E finalmente vem o meu eu analista político, aquele que tenta entender o cenário geopolítico mundial todos os dias - e sofre muito com isso! - e diz "exatamente como eu sempre digo". O que é que você sempre diz, eu mesmo? O que eu sempre digo, querido eu, é que o mundo não se divide entre religiões, nacionalidades, nem mesmo cores de pele. O mundo se divide em dois tipos de gente: as que têm senso de humor e as que não têm senso de humor.

Isso explica muita coisa, inclusive a colonização dos Estados Unidos, o fim do Comunismo, a ascensão do Nazismo, e até mesmo os conflitos religiosos de hoje em dia.

Pensa bem. Você é um muçulmano. Aí um jornal dinamarquês publica uma charge zoando o seu profeta. O que você faz? Uma charge zoando a Dinamarca? Não... você explode uma embaixada. Porra! Isso não faz o menor sentido!

Certa vez eu vi uma pesquisa feita em um site de chargistas dos Estados Unidos. Eles perguntaram aos seus cerca de 90 colaboradores como eles se posicionavam politicamente. Apenas 1 deles respondeu que era republicano. Só um! Não existe "humor de direita" ou "humor conservador". Lembram-se da "piada mais engraçada do mundo", do Monty Python? É exatamente isso: os nazistas não sabiam fazer piadas. Por isso eles eram nazistas.

Muita gente confirma que o senso de humor e a capacidade de fazer piadas são um reflexo de inteligência e bom uso do nosso amigo cérebro. Sendo assim, acho perfeitamente natural que pessoas idiotas não consigam relevar uma simples piada - e explica por que diabos eles não sabem fazer contra-piadas. Combatem a ironia com bombas, e o sarcasmo com tiros.

E o que é que eu posso fazer? Rir. Rir para não chorar. Sempre rir. Etc.

Fica aqui aberto o meu convite a todos os muçulmanos do mundo: se vocês tiverem uma boa piada de Dinamarquês para contar, me digam que eu ilustro com o maior prazer.

Melhor ainda: estou dando aulas de desenho grátis para todos os muçulmanos do mundo. Podem me procurar a qualquer hora do dia ou da noite. Eu vou ensinar qualquer um de vocês a desenhar bem o suficiente para fazer uma charge ou um cartum político para que vocês possam se defender dos nefastos cartuns dinamarqueses.

(mas se você for republicano, não me procure)

21 de fevereiro de 2008

20 de fevereiro de 2008

@cparty

- Você foi a única pessoa no mundo das pessoas que escrevem blog que se dignou a explicar o que raios era Campus Party. TODO MUNDO só dizia "@cparty".
- Ah, era tipo um bando de nerd brincando de casinha e baixando Lost a 5 mbps. Ano que vem eu tou lá de novo.

19 de fevereiro de 2008

Uma questão intrigante...

Vamos supor que existam pessoas boas e pessoas más.

Se não houvesse religião, as pessoas boas fariam coisas boas e as pessoas más fariam coisas más.

Sob o jugo da religião, muitas pessoas fazem coisas más.

Agora... o que seria capaz de fazer as pessoas más fazerem coisas boas?

"Medo de levar um tiro" não vale.

Geek?

63% Geek

17 de fevereiro de 2008

16 de fevereiro de 2008

Campus Party 2 - A Missão

Passado o mau humor e um pouco do cansaço, já dá para falar mais claramente sobre o Campus Party. Não visitei a área aberta com calma porque estava parecendo o Playcenter (em termos de utilidade e de público), mas a área VIP certamente teve algumas coisas interessantes e dignas de nota.

Antes de mais nada, o mais importante em eventos como esse foi alcançado: o climão. Acho que essa é a coisa mais importante em qualquer evento desse tipo. Existe um clima específico, que eu não sei descrever direito, que acomete locais onde muitas pessoas e muitos computadores se ligam - em rede e pessoalmente - para fazer coisas. Pode ser jogar Quake, pode ser postar em blogs, fazer música, ou tudo isso ao mesmo tempo agora. Não sei se é a energia dos computadores ligados, a adrenalina das pessoas, ou tudo isso e muito mais. Só sei que é algo que eu já senti poucas vezes e em poucos lugares: lanhouses de madrugada, festivais de música eletrônica (em cima e atrás do palco, nunca na pista de dança), laboratórios e estúdios de vídeo digital e animação, e festivais de hackers com concurso de criação de demos.

Esse climão, no Campus Party, atinge níveis assustadores. É muita gente, é muito computador, e muita coisa pra fazer. Tem o pessoal dos casemods, os postadores de blogs, os jornalistas, os produtores musicais e de vídeo, os programadores, os designers de jogos, as celebridades virtuais - tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Me diverti muito mais andando por entre essas pessoas do que efetivamente fazendo alguma coisa, vendo alguma palestra ou coisa do tipo.

Em geral, o que me sobra de bom dessa experiência foi a sensação que eu tive de que a internet, especialmente no Brasil, está finalmente virando uma coisa viva e representativa. Ela não é mais um espaço pioneiro desbravado por acadêmicos, engenheiros de software e profissionais de outras áreas tentando compreender seu funcionamento. Ela é hoje desenvolvida e aprimorada por pessoas que a conhecem, sabem de suas capacidades, e utilizam de seu poder para fazer coisas novas, interessantes, instigantes, comunicativas e diversas.

É o caso do simpático site Flickr, provavelmente a maior derrota que o Google já teve em sua trajetória. O PicasaWeb nunca vai ser o Flickr. Por que? Sei lá. Porque ele é meio chato. E sem graça. O Flickr é melhor e pronto. O Flickr é branco e tem uma bolinha rosa e uma bolinha azul. E a dona dela, a criadora do esquema todo, é uma mulher legal que adora fotografia. O stand deles na área vip do CParty era simples: tinha um espelho e um monte de perucas e chapéus coloridos (mas só com as duas cores do site), e tinha uns pufes. E uma brincadeira idiota: se você acertasse 5 bolas de plástico na cara de um amigo seu, ou vice-versa, os dois ganhavam 1 ano de Flickr grátis. Simples, mas era a coisa mais divertida que tinha pra fazer no andar. O stand ficou movimentado o tempo todo que eu estive lá, e todo mundo saiu com uma idéia muito simpática do site. Parece simples e fácil de fazer isso, mas se fosse assim tão fácil a Microsoft e o Google já teriam feito.

Também foi legal ver a cara das pessoas. Muita gente com cara de normal. Antigamente esse tipo de evento só tinha gordinhos branquelos de óculos e cabelo ensebado. Hoje, não. São homens e mulheres, de tudo quanto é faixa etária (embora a maioria tivesse mesmo entre 25 e 35 anos). Gente com vários tipos de cabelo, roupa, compleição física, etnia... enfim, gente, pessoas normais, de vários tipos, todas ali juntas usando seus notebooks, alguns com Windows, outros com Mac ou Linux, cada um na sua e curtindo a festa. Não vi nenhuma camiseta de Star Wars nem de Senhor dos Anéis. Os nerds andam bem vestidos hoje em dia.

No geral foi isso: pessoas legais fazendo coisas legais e compartilhando isso pela web. Espero que seja esse o futuro da Internet.

15 de fevereiro de 2008

Nerds! Sentido! Em frente... marchem!!


Eu tou no exército.

Sabe aquele negócio de falar que os video-games condicionam o pensamento das pessoas, e que elas agem de forma estranha por causa dos joguinhos eletrônicos? Era tudo verdade.

Estou postando diretamente da ala VIP do Campus Party, "o maior evento nerd do mundo" ou qualquer coisa do tipo. Pra quem não sabe o que é, imagina o prédio da Bienal de SP dominado por palestras, stands, notebooks e nerds em geral falando sobre tudo que tem a ver com tecnologia, internet e outras abobrinhas provindas do maravilhoso mundo do "vale do silicone".

Pois bem. Acabei de chegar e até agora vi muito Camping e pouco Party. Parece mesmo um acampamento do exército. Centenas de nerds de todo o Brasil (e de outros países ainda mais esquisitos) estão acampados no terceiro andar em barraquinhas formato A3 onde só cabe uma pessoa deitada, em posição fetal.

Um funcionário local me disse que, com jeitinho, cabem duas, uma em cima da outra. Já saiu porrada aqui por causa disso.

O clima geral é de campo de treinamento militar. Não pode fumar, não pode beber álcool, não pode transar, não pode andar pelado, não pode falar alto. Não perguntei se pode beijar na boca ou ler livros comunistas, mas o comentário geral é que não existe nenhuma regra escrita ou avisada em lugar nenhum: os seguranças e pessoas encrachazadas em geral ditam as regras ao vivo, verbalmente.

Outra coisa que me deu a impressão de campo militar foi o chuveiro. Cheguei de viagem depois de 8 horas de omnibus e resolvi tirar o cheiro de macho de debaixo do suvaco. O lugar dos chuveiros é muito estranho: as paredes são só uns plásticos brancos grampeados em armações, ou seja, não dá pra apoiar em nenhuma parede. Já tentou tirar a roupa toda sem deixar ela cair no chão (que está molhado e sujo) sem se apoiar em nenhuma parede? Tem que ser muito iogue ou mestre do kung fu. Eu não sou nem um nem outro.

O engraçado é que todo mundo parece achar tudo normal e divertido. Será que essa gente toda passou tanto tempo jogando Counter Strike e Call of Duty que passou a realmente curtir o rolê militar? Pra todo lado que eu olho vejo telas gigantes com simuladores de vôo, jogos de guerra, computadores "case-modados" com temas militares e outras coisas do tipo. Eu sempre curti joguinhos de guerra, filmes de guerra... mas também adoro filmes pornô e nem por isso acho normal transar com loiras peitudas em uma loja de equipamentos esportivos.

Melhor parar por aqui. Escrever depois de 48 horas acordado não é muito sábio.

Tudo o que eu sei é que, até agora, no Campus Party, vi pouco campus e nenhuma party. Está mais parecendo uma mistura de Sucesu 2008 com Woodstock - mas sem a parte boa de Woodstock. Não tem maconha, nudismo, laguinho, ioga, macarrão, show do Ten Years After... nada. Só barracas. E chuveiros.

Muito silício e pouco silicone.