5 de agosto de 2008

Todo pirata é espada?

Antes de mais nada, entre nesse site aqui e faça o teste. Depois você lê o resto do post.

Pronto?

Então vamos lá.

Eu fiz o teste, e achei muito interessante a lista de domínios que apareceu no meu browser, especialmente as notas que cada um recebeu no quesito sexualidade. Pelo que eu entendi, na proporção do quanto um site é macho ou fêmea, 1.0 significaria um site neutro e unisex; quanto mais esse número se aproximasse de 0, mais feminino ele seria, e quanto mais ele se aproximasse de 2, mais masculino. Um site com 0 seria totalmente feminino e um site 2 seria o máximo da masculindade.

Sendo assim, fazemos algumas constatações:

  • O site mais feminino da lista é o diynetwork, com 0,69. Isso significa que as mulheres pegam mais pesado do que os homens na hora de reformar a casa. Ou então que elas entram no site, baixam os projetos, e obrigam os maridos a executar a parte que envolve mexer com produtos químicos e ferramentas que estragam a pele e as unhas.
  • Tem mais mulher do que homem baixando fonts no dafont.com, indicando talvez uma supremacia feminina no mercado de design gráfico. Eu mesmo tenho 4 fonts nesse site e até hoje só recebi por causa delas e-mails de mulheres.
  • bored.com vem em terceiro com 0,79 indicando que ser mulher no século xxi é mesmo muito entediante. Recomendo que as mulheres modernas abandonem de vez o Sex and the City e os discos da Madonna e aprendam com nós, homens, o que é se divertir. Ver futebol, por exemplo.
  • O youtube foi o único site com exatamente 1 ponto, indicando ser o site mais balanceado e universal do momento. Tanto homens quanto mulheres gostam de ver vídeos de pessoas bêbadas dando vexame na tv ou em raves.
  • Se as mulheres baixam mais fonts, os homens publicam mais fotos: o site flickr.com tem nota 1,15
  • Os homens gostam mais de cinema e música do que as mulheres: o imdb é 1.06, o allmusic é 1,35 e o winamp.com é nota 1,5
  • O site apple.com não aparece na lista, porque ela só mede a feminilidade ou masculinidade dos sites, e não leva em consideração sites gays, lésbicos ou transexuais.
  • Considerando que a nota máxima da feminilidade seria 0 e o site mais feminino da lista tem nota 0,69, podemos afirmar que um site que tivesse nota acima de 1,7 seria de extrema masculinidade. O que dizer então do thepiratebay.org que tem nota 2,13???
É O SITE MAIS MACHO DA INTERNET!! ARRRRRRRRRRRRR!!!!!

Sem mais no momento, subscrevo-me.

Daniel Leal Werneck
Dept. de Pseudo-Estatística da Universidade Patafísica da Jamaica do Sul
Bolsista da Fundação Bob Marley

3 de agosto de 2008

Ateístas: ganhando desde 33 a.D.

"Deus quer impedir o mal, mas não consegue?

Então ele não é onipotente.
Ele pode, mas não quer?
Então ele é mau.
Ele pode, e quer?
Então por que existe o mal?
Ele não pode e nem quer?
Então por que chamá-lo de Deus?"

- Epicuro

31 de julho de 2008

Só a noite é que amanhece

Eu nunca entendi a lógica do meu relógio biológico.

Minha relação com o sono e os horários sempre foi meio maluca, desde que eu era bem pequeno. Tinha uma dificuldade enorme para acordar de manhã e ir para a escola - parte disso influenciou o meu desempenho acadêmico risível até a faculdade. Acordar às 6 da manhã sempre foi um martírio para mim, qualquer que fosse a hora em que eu fosse dormir na noite anterior. Quando eu tinha 5 ou 6 anos de idade, meu hobby preferido era esperar meus pais irem dormir, sair do quarto silenciosamente, ir até a sala, ligar a televisão, e ficar assistindo filmes e seriados até o sol nascer.

Estou falando nisso porque ontem fui dormir às 2 da manhã e hoje acordei espontâneamente às 7. Sem dor de barriga, sem barulho no vizinho, nada do tipo. Eu apenas acordei e não consegui mais dormir.

Esse horário da manhã é muito esquisito. O sol está lá no alto, tudo está claro e iluminado, mas ainda está um pouco frio da noite. A rua não está barulhenta como vai estar ao meio-dia, e as pessoas que você vê na rua estão todas em um estado de consciência alterado, pensando em como a cama delas estava quentinha e como vai ser chato encarar mais uma manhã de trabalho e de aula. As pessoas que andam na rua nesse horário são sempre mais deprimentes do que as que voltam para casa às 5 da tarde.

Entre os 15 e os 17 anos de idade eu tive uma fase em que tinha que ir a pé até o colégio todo dia de manhã. Eu acordava por volta das 6 da madrugada, e descia o morro a pé com meu irmão e mais dois colegas que moravam ali perto. Era uma forma que tínhamos de nos incentivarmos uns aos outros para encarar mais uma manhã de martírio intelectual.

Às vezes aparecia o doidão corredor.

Era assim. Fazia um frio brutal, 6:30 da manhã, todo mundo passando mal de sono e de frio, enrolado com casacos e cachecóis e morrendo de ódio do universo por ter que acordar naquele horário para ir à aula, e de repente ouvíamos aquele barulho vindo pela rua. Passos. Passos rápidos e espaçados. Súbito, lá vinha ele: um metro e oitenta, pele cor-de-rosa, óculos de aro fino, cabelo volumoso cheio de fios brancos, cerca de 45 anos de idade, barbudo, sem camisa, com um short Adidas bem curto e tênis. E um relógio enorme no pulso, que certamente media seus batimentos cardíacos. Ele passava correndo no meio da rua, ofegante, triunfante, dono do asfalto, se achando muito esperto.

Talvez ele até fosse um cara legal, bom pai, patrão bondoso, etc. Mas eu tinha um tipo estranho e específico de ódio por esse cara.

Mas não era bem disso que eu queria falar.

É que eu acho engraçado como as horas do dia têm personalidade, assim como os dias da semana. Da mesma forma que as segundas são uma droga, as quintas são mais divertidas do que as sextas, e os domingos são deprimentes e entediantes, também as horas do dia têm duas características.

Independente da hora em que eu acordei, meu dia sempre começa por volta das onze da manhã, uma das horas favoritas dos trabalhadores de todo o mundo. Até as 10:59 ainda estamos presos no "time slot" na manhã: reuniões, aulas, conversas com o chefe, levar esporro de cliente, etc. A partir das 11:00 já chegamos na zona de conforto do almoço.

Chega então o meio-dia, o horário de almoço oficial de 99,99999% dos ratinhos de laboratório do mundo. Correndo em suas rodinhas de arame, eles invadem os self-selfs do mundo inteiro com suas pastas, bolsas, sacolas, mochilas, e um transbordante sentimento de "pressa responsável", como se pudessem justificar sua existência no mundo com a grosseria com que exigem a rapidez no atendimento; como se o fato de comerem meio quilo de comida em apenas cinco minutos fosse um símbolo de status. Eu, que não sou louco, jamais almoço ao meio-dia, pelo mesmo motivo porque eu não pego trânsito às 6 da tarde e não viajo no dia 23 de Dezembro à noite. Espero calmamente até as 13:30 para só então descer até a rua e escolher calmamente em qual das diversas cadeiras vagas do restaurante eu vou querer me sentar.

Depois do almoço vem a tarde. As 4 da tarde são um horário importante para quem precisa ir ao banco. Mas é às 3 da tarde que as coisas acontecem. 17:00 já não é uma hora muito bacana - está se aproximando o fim do expediente, o sol está indo embora, e logo logo vamos estar encarando um trânsito infernal, enquanto a luz e o calor do sol vão embora e o ar começa a ficar mais frio.

Esse horário do pôr-do-sol é o mais deprimente de todos. É quase que uma granada de domingo que explode todos os dias da semana. Deve ser alguma coisa no meu DNA, que fica deprimido toda vez que vê o sol indo embora. Conscientemente, eu fico feliz, porque odeio luz na cara, calor e coisas do tipo. E, mesmo assim, o pôr-do-sol sempre me deixa melancólico.

Chega então o polêmico horário das 19:00. Sete da tarde ou sete da noite? Isso divide o mundo em dois, assim como a cebola, a Sofia Copolla e os argentinos.

Por volta das 20:00 eu fico mais tranqüilo. Semanticamente seguro. Agora é noite mesmo, com certeza. Horário de verão ou não, às 20:00 já está escuro. O céu está cheio de estrelinhas, e chega a hora do jantar, que é a minha refeição favorita do dia. Não sei por que mistérios o jantar é sempre melhor do que o almoço, independente do cardápio. A não ser que seja dia de sopa.

Chegam então as 22:00 (estou pulando algumas horas de propósito - detesto horas ímpares) que sempre foi um horário tabu na minha infância. Para acordar às 06:00 eu tinha de estar dormindo às 22:00, e ver o relógio mostrar qualquer minuto além disso era sinal de tragédia. Hoje em dia tento lutar contra esse trauma - 22:00 é o horário em que eu começo a pensar em trocar de roupa para ir à academia, ou para sair com os amigos.

A meia-noite é um horário decisivo. A partir daqui, nenhum trabalhador digno e honesto, temente a Deus, está acordado. A não ser que esteja de pijama, deitado no sofá, vendo o Programa do Jô. É aqui que se separam os homens dos meninos, os seres humanos dos vampiros e lobisomens.

Surge então a madrugada - 01:00 é uma ótima hora para comer, principalmente se você jantou por volta das 21:00 ou 22:00. O difícil é achar um lugar bom e barato aberto, ou então vencer a preguiça e encarar o fogão enquanto todo o resto do mundo (no seu fuso horário) está dormindo.

Passam as 2, as 4, e finalmente vem chegando o limite da madruga, que são as cinco horas da matina. Nesse horário alguns malucos já estão acordando, o padeiro já está lavando as mãos, e os malditos passarinhos já começaram a cantar. É um péssimo horário para tentar dormir, especialmente se você está na rua bêbado igual a um gambá e fedendo a cigarro. É também o horário perfeito para conhecer a mulher da sua vida que vai ser mãe dos seus filhos.

Por volta das 6 já começou a palhaçada, e a romântica e poética madrugada tornou-se agora o vulgar e desprezível horário proletário. Os ônibus já trafegam em plena velocidade, poluindo o ar e os ouvidos de toda uma civilização. Vigias e porteiros trocam de turno, padarias começam a vender pão de bromato quentinho, e a televisão começa a falar abobrinhas, com "notícias" de Brasília e a cotação do dólar.

Mas meu estômago é fraco demais para testemunhar tudo isso. Quando chega essa hora, quero estar dormindo, para deixar bem claro que eu não tenho nada a ver com isso.

30 de julho de 2008

Sabedorias do meu avô



"Se queres conhecer o vilão,
dê-lhe o poder na mão."

(hoje o Zimbabwe cortou 10 zeros da sua moeda - a partir de hoje, 10 bilhões de dólares zimbabwanos passam a valer 1 cruzado zimbabwano)

23 de julho de 2008

George Carlin 2

Em ano de "eleições" no Brasil e nos EUA, acho que esse texto vem bem a calhar:

"Esqueça os políticos. Os políticos são colocados lá para te dar a impressão de que você tem liberdade de escolha... mas você não tem. Você não tem escolha. Você tem donos. Eles são seus donos. Eles são donos de tudo. Eles são donos de todas as terras que importam. Eles são donos das corporações e as controlam. Eles já compraram a muito tempo o Senado, o Congresso, os governos estaduais, as prefeituras, os fórums, eles têm os juízes guardados nos bolsos e eles são donos de todas as grandes empresas de mídia, então eles controlam todas as notícias e informações que você recebe. Eles te pegaram pelo saco. Eles gastam bilhões de dólares todo ano fazendo lobby... para conseguir o que querem... Bom, nós sabemos o que eles querem. Eles querem mais para eles mesmos e menos para todo o resto das pessoas, mas eu vou te dizer o que eles não querem... eles não querem uma população de cidadãos capazes de pensamento crítico. Eles não querem pessoas bem educadas e bem informadas capazes de pensamento crítico. Eles não estão interessados nisso... isso não ajuda eles. Isso vai contra os interesses deles. É isso aí. Eles não querem pessoas espertas o suficiente para se sentarem em volta de uma mesa e pensarem sobre como eles estão sendo sacaneados por um sistema que os deixou na mão há uns 30 anos atrás.Eles não querem isso. Sabe o que eles querem? Eles querem trabalhadores obedientes... Trabalhadores obedientes, pessoas que são espertas o suficiente apenas para operar as máquinas e cuidar da papelada. Mas burras o suficiente para aceitarem passivamente seus empregos cada vez piores com salários cada vez menores, com cada vez mais horas de trabalho, benefícios reduzidos, sem hora-extra, e agora eles querem tirar a sua previdência social também. Eles querem a grana da sua aposentadoria. Eles querem pegar de volta para dar para seus amigos criminosos em Wall Street, e quer saber? Eles vão pegar... eles vão tirar tudo de você mais cedo ou mais tarde, porque eles são donos disso aqui. É um grande clube, e você não é sócio dele. Eu e você não estamos no clube. E eles te batem na cabeça o dia inteiro dizendo no que você tem que acreditar. O dia inteiro batendo na sua cabeça com a mídia dizendo no que você deve acreditar, o que você deve pensar e o que deve comprar. Esse jogo está sendo roubado e ninguém parece se importar. Parece que ninguém se importa. Pessoas honestas que trabalham duro... continuam elegendo esses filhos da puta ricos que não estão nem aí pra você. Eles estão pouco se fodendo pra você. Eles não ligam nem um pouco, e ninguém parece se importar. É com isso que os donos contam. Com o fato de que os americanos provavelmente vão continuar se mantendo ignorantes a respeito do grande pinto vermelho azul e branco que come o cu deles todo santo dia, porque os donos desse país sabem a verdade. Eles chamam isso de Sonho Americano porque você tem que estar dormindo para acreditar nele." - George Carlin

George Carlin 1

Outro dia eu comentei, entusiasmado, que havia descoberto recentemente que Rufus, o viajante temporal de "Bill & Ted´s Excellent Adventure" era interpretado por George Carlin. A pessoa não sabia quem era George Carlin.

Por causa disso, nos próximos 3 posts vamos aprender um pouco mais sobre George Carlin.

A tradução é minha.


"Sem dúvida a religião inventou a melhor mentira de todos os tempos. Pense bem. A religião convenceu as pessoas de que existe um homem invisível... morando no céu. Que observa tudo que você faz, cada minuto do dia. E o homem invisível tem uma lista de 10 coisas que ele não quer que você faça. E se você fizer qualquer uma dessas coisas, ele vai te mandar para um lugar especial, cheio de fogo e fumaça e tortura e angústia para você sofrer para sempre, e queimar, e gritar, até o fim dos tempos. Mas ele te ama. Ele te ama. Ele te ama, e ele precisa de dinheiro." - George Carlin

Olimpíadas

Pois é, né, minha gente... olimpíadas tá aí, todo mundo torcendo pro Brasil ganhar medalha na natação e no judô e tal...



Essa é a campanha publicitária da Anistia Internacional sobre as olimpíadas. Tem mais duas peças aqui e aqui.

O slogan: "Depois das olimpíadas, a luta pelos direitos humanos tem que continuar."

22 de julho de 2008

Patafufo!

Calma, minhas senhoras. Não é nada disso que estão pensando.

Estava eu na padaria, escolhendo a marca da manteiga que eu ia comprar - para quem não é de Minas, vale lembrar que aqui, na Capital Brasileira do Leite, existem dúzias de marcas de leites e derivados em qualquer biboca que você entra - quando me deparei com o seguinte rótulo:
Fui acometido de um incrível flashback que me levou 20 anos no passado. Patafufo! Quantos momentos felizes eu tive em minha infância, rindo desse nome. Minha mãe e meu tio, que trabalhavam na mesma empresa na época, começaram a falar isso por causa de um cliente deles, e o nome virou gíria na minha família inteira. Era nosso xingamento favorito: irônico, escrachado, e completamente sem sentido.

Visualizar o Patafufo consolidou em mim a existência de uma figura mítica. Quem seria esse simpático e gorducho bandeirante estampado na tampa da manteiga? Felizmente, graças aos milagres da Internet, 20 anos depois eu consigo desvender esse incrível mistério.

"Os primórdios da povoação que deu origem à atual cidade de Pará de Minas, remontam do final do século XVII, época em que o fluxo das bandeiras paulistas tornou-se constante nessas paragens (...) Um pequeno povoado se estabeleceu (...) Nele, segundo a lenda, fixou-se o mercador português Manuel Batista, apelidado de "Pato-Fofo" em face de ser baixo e gordo, e pela sua vaidade de aparentar grandes posses, apesar de ser pobre. Manuel Batista se estabeleceu (...) A casa onde residiu é considerada a primeira edificação da cidade, e hoje, abriga o Museu Histórico de Pará de Minas. Em decorrência do apelido que Manuel Batista adquiriu, o lugar ficou conhecido com Patafufio ou Patafufo, corruptelas de "Pato Fofo". O professor e doutor em História Flávio Marcus da Silva questiona o mito de Manuel Batista. A palavra “fofo”, segundo o doutor, pode significar “impostor” ou “quem alardeia fidalguia ou riqueza diante de quem não o conhece”, o que desautoriza a natural associação de “fofo” com o qualificativo “gordo”. Como o nome original do arraial era Patafufio, outra especulação é possível. “Fufio” significava “pessoa destituída de mérito, mas engrandecida pelo acaso”. Tudo indica que a mítica figura de Manuel Batista vai ficar sem uma interpretação histórica absoluta."

Hoje em dia, em Pará de Minas, tudo se chama Patafufo. Tem a Patafufo Decorações, Patafufo Alimentos, e o Patafufo Country Club, onde todo ano elegem-se o Garoto & a Garota Piscina.

Desvendado o mistério. Que alívio!

21 de julho de 2008

Niemeyer, Maletta e Normandy


Nossa leitora Cleozinha me deixou com a pulga atrás da orelha: segundo ela, não foi no Grande Hotel (que depois virou o Maletta) que o Oscar Niemeyer se hospedou quando veio a BH conversar com Juscelino à cerca da construção da Pampulha, mas sim no Hotel Normandy.

Vamos por partes!
Parte 1: O que eu falei no post?

Eu não disse, no meu post anterior, que o Niemeyer se hospedou lá; apenas que foi lá que os dois se reuniram. Segundo eu mesmo:

"Esse local da cidade já era histórico antes mesmo do Maletta ser construído. Antes disso, ficava ali um grande hotel, onde JK e Niemeyer encontraram-se pela primeira vez para discutir o projeto da Pampulha."

Parte 2: O que a Wikipedia diz sobre o Grande Hotel, que ficava onde hoje fica o Maletta?
"Grande Hotel foi um importante hotel de Belo Horizonte, localizado no Centro, no cruzamento entre a Avenida Augusto de Lima e a Rua da Bahia. Nele ficaram hospedadas as maiores personalidades que na primeira metade do século XX visitaram a capital de Minas Gerais.

No hotel, em 20 de fevereiro de 1910, Rui Barbosa conclamou a população de Belo Horizonte a aderir à Campanha Civilista, e defendeu que o nome da cidade fosse mudado para "Horizonte".

Em abril de 1924, nele se hospedaram Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Blaise Cendrars, e ali conheceram os representantes mineiros do Modernismo. Em sua sacada, na mesma época, Mário de Andrade declamou o poema "Noturno de Belo Horizonte".

A escultora Jeanne Milde morou num de seus quartos na década de 30.

Em 1940, Juscelino kubitschek e Oscar Niemeyer almoçaram no hotel para discutir os projetos para a Pampulha.
Em seu lugar, hoje existe na mesma esquina o edifício Maletta."

Parte 3: Onde fica o Hotel Normandy?
"Situado nos centros comercial e financeiro de Belo Horizonte, permite a seus hóspedes agilidade e comodidade na realização de seus compromissos. O Normandy Hotel está próximo a maior Feira de Arte e Artesanato ao ar livre da América Latina, a Praça Sete de Setembro, a Igreja São José, a Rodoviária e ao centro cultural Palácio das Artes. Com essa localização privilegiada o Normandy Hotel oferece a você toda a conveniência necessária para uma excepcional."

Trocando em miúdos: Rua Tamóios, 212 - Centro.

Parte 4: O que a Prefeitura de BH tem a dizer sobre isso?

Encontrei nesse site um texto que foi usado em um concurso público da PBH. Segue abaixo um trecho:

"Reza a lenda que Niemeyer fora chamado às pressas, indicado pelo primeiro diretor do Iphan, o jornalista Rodrigo Melo Franco de Andrade. Depois da entrevista com Juscelino, o arquiteto se recolheu em seu quarto, no Edifício Maletta, onde havia o Grande Hotel, e virou a noite a rabiscar, desenhar, projetar e sonhar."

Como o próprio texto diz, "reza a lenda"... Inclusive, o texto diz que ele se recolheu em seu quarto "no edifício Maletta", que sequer exista naquela época. Ou seja, pode ser que ele esteja querendo dizer que ele se recolheu em seu quarto no Grande Hotel... mas o fato é que não disse. Aliás esse texto é muito pouco confiável, pois abusa de termos exagerados e tenta criar um ar de mitologia em torno dos fatos.

Conclusão: Não concluí nada. Não consegui provar nem que Niemeyer se hospedou no Grande Hotel, nem que ele se hospedou no Normandy. Só encontrei indicações de que os dois teriam almoçado e se reunido no Grande Hotel.

Epílogo: Vou hoje até o Hotel Normandy conhecer o edifício, já que moro nessa cidade há quase 30 anos e nunca entrei no tal do prédio. Espero que o almoço seja bom!

Uma rosa, com qualquer outro nome...

- Mas e aí, qual vai ser o nome?
- Não sei ainda. Depende se for menino ou menina. E eu ainda não sei o sexo. Se bem que tem muito nome unisex por aí. Minha avó, por exemplo, se chamava Altair.
- Esses nomes astronômicos costumam ser unisex mesmo.
- Andrômeda. Andrômeda é bonito.
- Mas quando você vai decidir o nome? Você não vai escolher antes dele - ou dela - nascer?
- Não sei. É muita responsabilidade. Eu acho que todo mundo devia se chamar "menino" ou "menina" até os 18 anos de idade. Depois ia até o cartório e escolhia o próprio nome.
- Podia ser até antes. Com 7 anos por exemplo.
- Não. Se fosse assim, todas as mulheres do mundo iriam se chamar Barbie.
- E os homens, Batman.
- Prefiro Charada.
- É um bom nome. Sonoro, e cheio de significado.
- Sem contar que é unisex.